Orquídea Negra e o capricho do momento...: Sabores tradicionais do Minho - "Foda à Monção". louboutin saor

Orquídea Negra e o capricho do momento...

Orquídea Negra: vermelho púrpura, intenso, aveludado! A cor ideal da sensibilidade à Arte que dá largas à imaginação e materializa o ser. Sensibilidades (inconscientes) e saberes auto-didácticos. Daí que o "capricho" do momento... vai passar, necessariamente, pela seiva... o sangue português (minhoto) que lhe corre nas veias - artístico, literário, estético!

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domingo, 12 de agosto de 2012

Sabores tradicionais do Minho - "Foda à Monção".





A "Foda à Monção" não é mais que cabrito (ou cordeiro) no forno com arroz, o prato mais típico da zona de Monção, iguaria a provar (e comer) por todo o visitante que se preze!
E regado com "Alvarinho"(1)? Descontrai, o dia corre melhor, as pessoas ficam mais felizes...







"Foda à Monção"?
Confesso que nunca provei uma foda à Monção.
Modéstia à parte, já provei fodas nos 5 continentes, mas nunca em Monção.
Em Valença, sim, que é lá perto, mas quando pernoitei em Monção estava com o estômago muito pesado e não dei uma para a caixa.
Agora, o que eu não sabia – juro que não sabia! – é que a Câmara de Monção quer mesmo certificar as fodas à moda lá da terra.
Que ideia do c******!
Já viram bem o orgulho que é um cidadão de Monção andar com um certificado, tipo um crachá, espetado no peito, dizendo algo do género: fodas à Monção é comigo!
E não há cá eufemismos: não é fazer amor à Monção, ou queca, ou mocada, ou trolitada, ou cambalhota à Monção.
É mesmo foda e mais nada!
É de Câmaras Municipais como esta que o povo precisa!

- in "O Incomensurável Coiso" (22.Jan.2010)



O cabrito à moda de… é quase uma figura obrigatória nos cardápios portugueses. Mas o de Monção é especial. Especial pela confecção, pelo sabor e pelo nome pelo qual é vulgarmente conhecido.
Relativamente à confecção, poderíamos dizer, simplesmente, que se trata de cabrito assado com arroz no forno.
A preparação começa de véspera com uma boa lavagem do bicho, com muita água com limão e a retirada das gorduras em excesso. Depois de lavado é temperado com alho, sal e vinagre, permanecendo assim até ao dia seguinte e tendo o cuidado de, de tempos a tempos, o esfregar bem com aquele tempero.
No dia do repasto cozem-se, numa panela grande, uma diversidade de carnes e enchidos como se fosse um cozido à portuguesa. Escorre-se o caldo e apura-se bem, temperado a gosto e colorido com um pouco de açafrão.
Enquanto o forno de lenha aquece, escorre-se e limpa-se o reixelo(2) do alho e restos de tempero untando-o com um molho feito de caldo, banha e açafrão.
Num alguidar de barro vidrado coloca-se a quantidade de arroz (carolino) desejada, deita-se o caldo do cozido (mais ou menos um litro por cada quilo de arroz, mexe-se bem. Coloca-se uma grelha sobre o alguidar e sobre a grelha o reixelo, com as pernas bem atadas.
Por fim, com o forno bem aquecido e limpo das brasas, coloca-se o alguidar lá dentro e fecha-se a porta.
O tempo de cozedura não pode ser definido. Cada forno tem o seu tempo, é preciso “conhecê-lo”. A meio abre-se a porta, volta-se o cabrito para tostar do outro lado e aproveita-se para provar o arroz que, nesta fase, já faz crescer água na boca.
Num evento mais familiar sai do forno e vai direito à mesa para gáudio de quem vai ter o prazer de o saborear.
O sabor… ?! Só visto, digo, saboreando. É único.
Finalmente o nome:
Como é tradicional, os habitantes do burgo, que não possuíam rebanhos, dirigiam-se às feiras (coisa que já não existe) para comprar o reixelo. E, como em todas as feiras, havia de tudo, bom e mau. A verdade é que os produtores de gado, quando o levavam para a feira queriam vendê-lo pelo melhor preço e, para que os reixelos parecessem gordos punham-lhes sal na forragem o que os obrigava a beber muita água. Na feira apareciam com uma barriga cheia de água e pesados, pareciam realmente gordos. Os incautos que não sabiam da manha compravam aqueles autênticos “sacos de água” e, quando se apercebiam do logro exclamavam à boa maneira do norte: … mais uma foda!
Daí, tanto se vulgarizou o termo que passou a designar-se, localmente, por foda. De tal modo que é frequente, pelas alturas festivas (Páscoa, Corpo de Deus ou Coca, Senhora das Dores e Natal ou Fim de Ano) ouvir as mulheres: Ó Maria, já metes-te a foda?
Também há quem diga que a origem é outra. Que os maridos, depois de encherem o bandulho, dizem para as esposas que aquilo é melhor que uma foda!

MEMÓRIAS... Gastronomias


 


Confraria da “Foda”

Eu li, e ouvi com atenção
Porque diz-se, está na moda,
Li que nasceu em Monção,
A confraria da “Foda”.

Não é asneira nem pecado,
Nem mesmo um palavrão!
A “Foda” é o cabrito assado,
Feito à moda de Monção.

Vou sempre comer a “Foda”
Quando viajo até Monção.
Quem lá vai e não come a “Foda”,
Não sabe o que lá é bom.

Agora com a confraria
A fazer-lhe a promoção,
Vai ser grande a romaria

P'ra ir à "Foda" a Monção. 
                       
Recomendo, sei que é bom,
Comer um dos melhores pitéus,
O cabrito assado em Monção,
Soberbo manjar de Deus.

Muitos comem, e se gostam!
Comem com satisfação,
Um dos pratos mais eleitos,
Da cozinha de Monção.

Não sei quem foi seu autor,
Eu como, e sei que é bom!
Sei que a “Foda” faz furor
Nas ementas de Monção.

Vai pingando no arroz
Quando o cabrito está a assar,
Assim toma seus sabores,
Aquele belo manjar.

Não sei quem o baptizou,
Se o nome é feio ou bonito,
Mas estou certo que gostou!
Se comeu do tal cabrito.

O nome, pouco importa,
Se é foda ou fodiola,
Sei que é bom, e a gente gosta,
Porque o sabor nos consola.


- Poemas de Manuel Ribeiro


   






(1) - Alvarinho é uma casta branca da espécie da Vitis vinifera originária do Noroeste da Península Ibérica. É a mais nobre das castas brancas portuguesas e produz um vinho de elevadíssima qualidade. Actualmente é plantada em diversas regiões de Portugal e do Mundo, mas é na Sub-região de Monção e Melgaço que se revela e atinge o máximo das suas potencialidades.
O vinho monovarietal da casta Alvarinho (Vinho Alvarinho) é um vinho que possui cor intensa, palha e com reflexos citrinos. O aroma é intenso, distinto, delicado e complexo, que vai desde o marmelo, pêssego, banana, limão, maracujá e líchia (carácter frutado), a flor de laranjeira e violeta (carácter floral), a avelã e noz (carácter amendoado) e a mel (carácter caramelizado). O seu sabor é complexo, macio, redondo, harmonioso, encorpado e persistente. (in Wiki).
(2) - Para quem, como eu, achou o termo "reixelo" meio "peregrino", o qual, aliás, não me parece que tenha alguma coisa de minhoto (alto-minhoto), trata-se, muito simplesmente, do dito cujo animalzinho - cabrito ou cordeiro.




1 comentário:

  1. CardusMc21 de abril de 2016 às 17:20

    Adorei...

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sábado, 30 de janeiro de 2010

Refutações: Confissão Positiva e “Teologia” da Prosperidade


Freqüentemente somos abordados por pessoas que fizeram ou estão fazendo o curso Rhema (a grade curricular normalmente segue as matérias do Centro de Treinamento Bíblico Rhema Brasil) que reforça o pensamento positivo a partir de textos bíblicos, e tem como base os escritos de Kenneth Hagin.
Uma das características das pessoas que estão tendo contato com esses ensinos é a imaginação de que “agora sim” estão conhecendo a verdade, mesmo depois de anos que aceitaram a Jesus, como se a revelação da Palavra de Deus só se tornasse possível sob a perspectiva desse seguimento evangélico atual.
Só pra se ter uma idéia, no arcabouço desses ensinos é visto alguns equívocos facilmente refutáveis. Vou enumerar seis deles:
1.       Fé na sua fé”. Estranho? Mas é isso mesmo. Eles ensinam que você deve ter fé em suas palavras, aí você terá fé em sua fé. E isso baseado em Marcos 11.23. REFUTAÇÃO: È só ler o versículo anterior, o 22. “Tende fé em Deus”. A fé deve ser depositada em Deus e não em nós mesmos.

2.      A fé do tipo de Deus”. Cuidado, eles podem dizer que o vers. 22 se traduz corretamente “tende a fé do tipo de Deus” como se Deus precisasse de fé. REFUTAÇÃO: O substantivo “Deus” é o objeto da fé e não o sujeito da fé, ou seja, “Não se trata da fé que Deus tem, e, sim, da fé da qual Deus é o objeto”. E isso está de acordo com o original ‘Echete pistin theou’.


3.      E tudo quanto exigirdes em meu nome”. Essa é a interpretação que Hagin faz de Jo 14.13. Assim, o crente não pede, mas exige de Deus, em nome de Jesus. REFUTAÇÃO: o verbo ‘pedir’ dessa passagem, de acordo com o termo grego original ‘aiteo’, significa pedir mesmo. Esse verbo sempre aparece no Novo Testamento com a idéia de súplica (Mt 7.7,11; Ef 3.20; Tg 1.5; I Jo 5.14,15).

4.      Jesus morreu espiritualmente e recebeu a natureza de Satanás”. Dizem que o sacrifício de Jesus para ser completo tinha que ter morte espiritual, além de física, e a serpente levantada por Moisés no deserto era a representação da natureza de Satanás em Jesus. REFUTAÇÃO: a Bíblia não fala sobre essa suposta morte espiritual em lugar nenhum, pode procurar. A alusão a serpente, do texto de Jo 3.14 se refere ao tipo de morte (ele foi levantado no madeiro, como Moisés levantou a serpente,). O texto de I Pe 3.18 diz claramente que Jesus foi “mortificado na carne”, e, além disso, Jesus foi o cordeiro imaculado (Hb 9.14; I Pe 1.19).

5.       “O crente não deve adoecer”. Baseiam-se no texto de Isaias 53.4,5 para argumentar que nós fomos sarados e o crente não deve adoecer mais. REFUTAÇÃO: O texto de Isaias diz respeito à cura espiritual, é só ler o contexto. E Pedro ainda explica que a cura é espiritual mesmo (I Pe 2.24,25). Através de Paulo muitos foram curados (At 19. 11,12), porém alguns textos sugerem problema físico em Paulo (Gl 4.13,14; 6.11; II Co 12.7), em Timóteo (I Tm 5.23) e em Trófimo (II Tm 4.20). Porque Paulo não os curou e também a si mesmo? Porque a soberania divina está acima de qualquer benção material e física, e Deus sabe o que é melhor para cada um de nós (Rm 8.28; II Co 12.9). Só a título de curiosidade: Kenneth Hagin passou seis semanas com cardiopatia, além das dores de cabeça e de outros sintomas que vieram depois de ser curado.

6.      O crente não deve ser pobre”. Um texto famoso que eles usam é Mc 10.30, dando ênfase a expressão “... que não receba cem vezes tanto”, assim o crente deve receber casas e campos cem vezes mais, se derem ao Senhor suas propriedades. Outros textos usados são os que falam de suprimento e prosperidade como Fl 4.19 e 3 Jo 2. REFUTAÇÃO: Se o texto de Mc 10.30 fosse aplicado literalmente, qualquer pessoa que desse um carro para a Igreja, receberia uma frota automaticamente, se desse uma casa, receberia um condomínio com cem casas, e assim por diante. Porém...

A família de Jesus era pobre (Lc 2.24; Lv 12.8), na igreja de Corinto havia crentes pobres (I Co 11.22), na Galácia também (Gl 2.10) e Pedro disse ao paralitico que não tinha “prata nem outro” (At 3.6). Os textos bíblicos que falam de prosperidade nem sempre estão se referindo a riquezas, como é o caso de 3 Jo 2: “...faço votos por tua prosperidade e saúde, assim como é próspera a tua alma”.

CONCLUSÃO:
Creio que estas simples refutações, porém profundas, são suficientes para deixar um crente sincero apto a questionar os proponentes da fé, quando eles vierem com aquele ar de detentores da verdade. Finalizo, reproduzindo as palavras de Charles H. Spurgeon: “O antigo pacto era um pacto de prosperidade. O novo pacto é um pacto de adversidades, mediante o qual estamos sendo desmamados deste mundo presente e nos preparando para o mundo vindouro”.
OBS: Utilizei os seguintes livros como consulta para esta postagem: Cristianismo em Crise, de Hank Hanegraaff (CPAD), e Super Crentes, de Paulo Romeiro (Mundo Cristão), além da Bíblia Sagrada (RC, de 1969).

5 comentários:

  1. Vanessa Dutra1 de fevereiro de 2010 05:42

    Paz do Senhor!

    Excelente reflexão!

    Pensando justamente nestes asssuntos, estou fazendo em meu blog uma pesquisa de opinião sobre o tempo em que estamos vivendo (dizem que é de unção, milagres, etc. Será?). Peço que participe. Basta deixar um comentário sobre o assunto na postagem mais recente.

    Obrigada e Deus abençoe!

    ResponderExcluir
  2. Cláudio Ananias2 de fevereiro de 2010 07:56

    A Paz do Senhor, Vanessa.

    Obrigado pela participação. Será um prazer participar de sua pesquisa. Me informe seu blog.

    ResponderExcluir
  3. winter21 de setembro de 2011 00:49

    a paz do Senhor,ananias.a cada dia aparece mais um pregador da properidade.é notório que os tais pregadores da prosperidade,pegam textos isolados.as vezes,chega a ser ridículo,algumas coisas que eles falam.por exemplo: alguns usam [fp 4:13]e deitam e rolam com ensinos errados.mas,basta voltar para [fp 4:11,12]e o ensino deles cai por terra.o apóstolo Paulo,já tinha aprendido a contentar-se com o que tinha.sabia estar abatido e em abudancia.outras coisas que eles esquecem é,prestar a atenção quem escreveu a carta.resumindo,eles devem analisar todo o contexto da carta aos filipenses.o povo de Deus,só tem a agradecer pelos ensinamentos com embasamentos bíblico.

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  4. Regente Eugenio Pereira16 de janeiro de 2016 13:03

    Muito bom texto!

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  5. xjd7410@gmail.com20 de julho de 2016 03:27

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